quarta-feira, 4 de agosto de 2010

E o que vem depois do ponto?

Eu queria saber se nós nascemos pra ser algo ou se a gente, na verdade, se constrói.
Se existe destino ou se o destino somos nós.
Eu queria saber de onde vem a coincidência. Alguém decide? Você decide? Ou ela decide sozinha?
Quando nós nascemos é como se fosse o início de uma letra em uma página em branco ou o livro já vem escrito e nós nascemos só pra ler?
Eu acredito em tudo. Não desacredito de nada.
Acho que meu livro veio escrito. Talvez sim, talvez não. Mas, acho também, que lendo em voz alta a gente consegue, pela entonação, mudar o significado de algumas frases. Às vezes paramos de ler, damos uma pausa. Às vezes essa pausa demora e aí a vida fica, assim, meio sem rumo até aparecer uma motivação (destino, sei lá) que te faz retornar a leitura, e dar uma ar novo a todas as coisas.
O meu livro tem uma história meio sem rumo, meio desconexa, fica difícil de ler e em voz alta parece poesia de louco.
Tem horas que eu mudo a entonação, fico enjoada e paro de ler.
Outras eu tento mudar a história, finjo que não li o que eu li, ou deixo uma vírgula de lado, atropelo um ponto, disfarço uma interrogação com uma exclamação, tentando enganar a história que, tolinha, já veio pronta.
Você pode até se prender a uma página com medo do que virá depois, mas não pode esquecer e nem fingir que ainda tem outras esperando apenas a chance para serem lidas, pontuadas, exclamadas, interrogadas.
No fundo a gente só quer mesmo é encher o nosso mundo de anotações e rabiscar o infinito.
No fundo a gente só quer mesmo é ser a gente!

Um comentário:

Aldrin Iglesias disse...

É preciso viver. É preciso uma certa inconsciência. Não dá para saber tudo mesmo. Talvez isso seja bom!

Um grande abraço, Pri!
Aldrin