Na última semana fui surpreendida com a notícia de que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela não obrigatoriedade do diploma de jornalismo.
Há anos que este assunto vem sendo discutido e eu já ouvi muita coisa a respeito desde a época da faculdade.
Já ouvi os que eram a favor e os que eram contra.
Concordei e concordo com algumas partes de ambos os lados, mas nunca acreditei que de fato que esta decisão viesse a acontecer. Mas aconteceu.
Eu li todas as notícias pasma e assim fiquei durante o resto da semana passada e assim estou até hoje.
Não quis escrever sobre o assunto antes, até porque não costumo usar meu blogger para debater temas jornalísticos ou sociais. É uma pena, mas eu uso este espaço só para mim mesma, minhas emoções e minhas raivas.
Não escrevi também porque o absurdo para mim era tanto que eu agi como ajo sempre em casos como estes. Fico sem ter o que dizer, porque qualquer coisa a ser dita me parece tão óbvia e clara que não acrescenta nada.
Afinal, porque uma profissão precisa ser “desprofissionalizada”?
Porque a educação é desmerecida em um país onde ainda estuda-se e, principalmente, aprende-se tão pouco?
Não seria o papel do governo, entre tantos outros, estimular a população a estudar, a ingressar em faculdades, se profissionalizar, debater assuntos relevantes para a sociedade, criar consciência política, capacidade crítica, para aí poder ajudar no fortalecimento do país etc e tal?
Claro que não, né Priscila. Santa ignorância. Nosso governo precisa de soldadinhos burros, desinformados e pouco ou, de preferência, nada críticos.
É melhor nos preparamos porque, se depender do STF, voltaremos a aprender receitas de bolos durante os noticiários, como na Ditadura Militar. Até porque, para fazer bolos não é preciso ser jornalista, não é preciso ser nada, já disse nosso sábio Gilmar Mendes. Preciso dizer que, tamanha sabedoria e sensibilidade me deixam emocionada.
O contraditório é usarem justamente a liberdade de expressão como chamariz para a não necessidade do diploma.
Liberdade de quem? Do Povo? Façam-me o favor!
Sinceramente, usar a liberdade de expressão como bandeira de algo que não liberta ninguém para nada é triste, para não dizer desrespeitoso com aqueles que lutaram e morreram em função de causas tão mais nobres.
Olha, melhor nem entrar em critérios políticos, porque a política sim me dá náuseas.
Eu só quero dizer que acho uma pena.
Acho uma pena e tenho uma dó imensa de um país, que já é carente em tantos aspectos, mas agora será carente também de profissionais estimulados a lidarem com a notícia de forma sensata e ética. Sim, porque não há mais estímulo ao estudo, ao aprendizado, à discussão.
Você nasce, aprende a ler, a escrever e pronto, pode ser um jornalista.
Para isso, a partir de agora, você precisa de um bom padrinho (claro, como sempre, mas é bom esquecer a sorte e o profissionalismo), ou de algum louco, que lhe arrume um emprego.
Esqueça também a idéia de os bons salários, que na verdade (no mundo real, que não é o mesmo da Fátima Bernardes) nunca existiram.
Afinal, não irão pagar justamente para que você exerça uma profissão que, por lei, qualquer um também pode exercer.
Você não precisa gastar mais dinheiro ou tempo com faculdade, livros, aprendizado, debates e anos de escrita.
Você não precisa mais de nada.
O Brasil é um país de jornalistas. Somos uma mídia inteira de 191.341.933 jornalistas. Não é o máximo?
Eu amei minha faculdade de jornalismo. Foram quatro anos que contribuíram imensamente para a minha formação tanto como jornalista quanto como pessoa. Amei o curso, as matérias e tudo o que eu aprendi.
Critiquei sim, por diversas vezes, estar perdendo tempo com teorias que eu julgava inúteis, mas que hoje eu vejo serem extremamente necessárias para um profissional que lida diretamente com a vida das pessoas, que tem influência sobre muitas e que narra diariamente da história de um país.
É óbvio que todos nós sabemos que o jornalismo de verdade, as técnicas, aprende-se mais na prática do que na teoria.
Um estudante jamais se tornaria um jornalista profissional se durante o curso não pudesse estagiar e freqüentar a realidade de uma redação de jornal.
Acho até que os estagiários de jornalismo, assim como em todas as áreas, são muito pouco aproveitados, pois são eles que deveriam trazer grande parte da reflexão e do sopro de paixão ao trabalho rotineiro e estressante destes profissionais da mídia.
Prática e teoria precisam andar juntas, senão durante todo o exercício profissional, pelo menos durante o início deste.
Concordo que é preciso ter talento, é preciso ter vontade e que os jornais precisam estar abertos a opiniões distintas e a profissionais de diferentes áreas. É para isso que existem os artigos, crônicas, contos. Isso sim é um exemplo digno de liberdade de expressão.
Acredito, porém, que antes de tudo é preciso ter preparo.
Concordo que é necessário ter mais espaço para o povo, para o debate de idéias. E acho também que vivemos uma época de informações maçantes e feitas em escala industrial, com pouquíssimo, ou quase nenhum, senso crítico.
Mas não acredito que a falta de um diploma vá nos ajudar. Aí, é pedir demais.
Precisamos ser sensatos o suficiente para entendermos que os jornalistas não estão todos por aí soltos a sua própria verdade e escrevem a revelia como se não estivessem subordinados a interesses editoriais e políticos superiores aos seus e da população em geral.
Para isso usamos a internet que ainda é um veículo onde há espaço para emitir opiniões próprias.
Sabemos também que na maioria das vezes não há tempo ou não é permitido grandes reflexões em meio a fechamentos, correrias e, claro, principalmente, às políticas de cada empresa.
Não existem bons samaritanos, existem empresas grandes e pequenas, existe lucro, existe troca de favores, existe hierarquia, existe politicagem, existem jornais.
E sempre existirão, quer sejam feitos por médicos, advogados, ou cozinheiros, como gostou de ressaltar nosso “querido” e sempre pouco surpreendente, Gilmar.
Quanta ingenuidade. Quanto sadismo. Quanto medo. Quanta besteira.
Este é um assunto que foi debatido muito mais na rodinha dos jornalistas do que na mídia (que deveria zelar pela diversidade de idéias) ou pela população em geral.
Os grandes empresários que tanto prezam pela liberdade de expressão pouco se importaram em discutir com a massa um tema que irá atingi-la diretamente.
Limitaram-se a notinhas em rodapés de páginas ou a palavras ditas em tom festivo.
Deve ser mesmo um grande motivo para festa. Pelo menos para alguns que apesar de poucos ainda conseguem ter mais força.
Isso é triste e me dá preguiça.
Onde está o nosso 4º poder? O que ele representará a partir de agora? E quem irá realmente representá-lo?
Com uma coisa eu tenho que concordar, um país que não dispõe de políticos qualificados intelectualmente ou mesmo moralmente para assumirem seus cargos, não precisa de ter uma mídia qualificada para informar, entreter; para nada.
Se você olhar em volta encontrará também centenas de médicos, engenheiros, advogados e policiais, todos desqualificados em qualquer nível a ser detalhado. Independente de diplomados ou não.
É de dar pena.
É o nosso presente e a garantia que temos para o futuro.
Obs.: Preciso arrumar um emprego em algum restaurante. Afinal, além de escrever eu também sei e gosto de cozinhar. E além de se jornalista posso ser chef e sem perder tempo com qualificação, o que para o nosso governo é motivo de orgulho.
Talvez chegue o dia em que eu também possa optar por abrir um consultório de psicologia para pôr em prática minha habilidade em ouvir e aconselhar.
Tenho uma tia que, certamente e sabiamente, diria ser este o fim dos tempos.
Que assim seja.
Há anos que este assunto vem sendo discutido e eu já ouvi muita coisa a respeito desde a época da faculdade.
Já ouvi os que eram a favor e os que eram contra.
Concordei e concordo com algumas partes de ambos os lados, mas nunca acreditei que de fato que esta decisão viesse a acontecer. Mas aconteceu.
Eu li todas as notícias pasma e assim fiquei durante o resto da semana passada e assim estou até hoje.
Não quis escrever sobre o assunto antes, até porque não costumo usar meu blogger para debater temas jornalísticos ou sociais. É uma pena, mas eu uso este espaço só para mim mesma, minhas emoções e minhas raivas.
Não escrevi também porque o absurdo para mim era tanto que eu agi como ajo sempre em casos como estes. Fico sem ter o que dizer, porque qualquer coisa a ser dita me parece tão óbvia e clara que não acrescenta nada.
Afinal, porque uma profissão precisa ser “desprofissionalizada”?
Porque a educação é desmerecida em um país onde ainda estuda-se e, principalmente, aprende-se tão pouco?
Não seria o papel do governo, entre tantos outros, estimular a população a estudar, a ingressar em faculdades, se profissionalizar, debater assuntos relevantes para a sociedade, criar consciência política, capacidade crítica, para aí poder ajudar no fortalecimento do país etc e tal?
Claro que não, né Priscila. Santa ignorância. Nosso governo precisa de soldadinhos burros, desinformados e pouco ou, de preferência, nada críticos.
É melhor nos preparamos porque, se depender do STF, voltaremos a aprender receitas de bolos durante os noticiários, como na Ditadura Militar. Até porque, para fazer bolos não é preciso ser jornalista, não é preciso ser nada, já disse nosso sábio Gilmar Mendes. Preciso dizer que, tamanha sabedoria e sensibilidade me deixam emocionada.
O contraditório é usarem justamente a liberdade de expressão como chamariz para a não necessidade do diploma.
Liberdade de quem? Do Povo? Façam-me o favor!
Sinceramente, usar a liberdade de expressão como bandeira de algo que não liberta ninguém para nada é triste, para não dizer desrespeitoso com aqueles que lutaram e morreram em função de causas tão mais nobres.
Olha, melhor nem entrar em critérios políticos, porque a política sim me dá náuseas.
Eu só quero dizer que acho uma pena.
Acho uma pena e tenho uma dó imensa de um país, que já é carente em tantos aspectos, mas agora será carente também de profissionais estimulados a lidarem com a notícia de forma sensata e ética. Sim, porque não há mais estímulo ao estudo, ao aprendizado, à discussão.
Você nasce, aprende a ler, a escrever e pronto, pode ser um jornalista.
Para isso, a partir de agora, você precisa de um bom padrinho (claro, como sempre, mas é bom esquecer a sorte e o profissionalismo), ou de algum louco, que lhe arrume um emprego.
Esqueça também a idéia de os bons salários, que na verdade (no mundo real, que não é o mesmo da Fátima Bernardes) nunca existiram.
Afinal, não irão pagar justamente para que você exerça uma profissão que, por lei, qualquer um também pode exercer.
Você não precisa gastar mais dinheiro ou tempo com faculdade, livros, aprendizado, debates e anos de escrita.
Você não precisa mais de nada.
O Brasil é um país de jornalistas. Somos uma mídia inteira de 191.341.933 jornalistas. Não é o máximo?
Eu amei minha faculdade de jornalismo. Foram quatro anos que contribuíram imensamente para a minha formação tanto como jornalista quanto como pessoa. Amei o curso, as matérias e tudo o que eu aprendi.
Critiquei sim, por diversas vezes, estar perdendo tempo com teorias que eu julgava inúteis, mas que hoje eu vejo serem extremamente necessárias para um profissional que lida diretamente com a vida das pessoas, que tem influência sobre muitas e que narra diariamente da história de um país.
É óbvio que todos nós sabemos que o jornalismo de verdade, as técnicas, aprende-se mais na prática do que na teoria.
Um estudante jamais se tornaria um jornalista profissional se durante o curso não pudesse estagiar e freqüentar a realidade de uma redação de jornal.
Acho até que os estagiários de jornalismo, assim como em todas as áreas, são muito pouco aproveitados, pois são eles que deveriam trazer grande parte da reflexão e do sopro de paixão ao trabalho rotineiro e estressante destes profissionais da mídia.
Prática e teoria precisam andar juntas, senão durante todo o exercício profissional, pelo menos durante o início deste.
Concordo que é preciso ter talento, é preciso ter vontade e que os jornais precisam estar abertos a opiniões distintas e a profissionais de diferentes áreas. É para isso que existem os artigos, crônicas, contos. Isso sim é um exemplo digno de liberdade de expressão.
Acredito, porém, que antes de tudo é preciso ter preparo.
Concordo que é necessário ter mais espaço para o povo, para o debate de idéias. E acho também que vivemos uma época de informações maçantes e feitas em escala industrial, com pouquíssimo, ou quase nenhum, senso crítico.
Mas não acredito que a falta de um diploma vá nos ajudar. Aí, é pedir demais.
Precisamos ser sensatos o suficiente para entendermos que os jornalistas não estão todos por aí soltos a sua própria verdade e escrevem a revelia como se não estivessem subordinados a interesses editoriais e políticos superiores aos seus e da população em geral.
Para isso usamos a internet que ainda é um veículo onde há espaço para emitir opiniões próprias.
Sabemos também que na maioria das vezes não há tempo ou não é permitido grandes reflexões em meio a fechamentos, correrias e, claro, principalmente, às políticas de cada empresa.
Não existem bons samaritanos, existem empresas grandes e pequenas, existe lucro, existe troca de favores, existe hierarquia, existe politicagem, existem jornais.
E sempre existirão, quer sejam feitos por médicos, advogados, ou cozinheiros, como gostou de ressaltar nosso “querido” e sempre pouco surpreendente, Gilmar.
Quanta ingenuidade. Quanto sadismo. Quanto medo. Quanta besteira.
Este é um assunto que foi debatido muito mais na rodinha dos jornalistas do que na mídia (que deveria zelar pela diversidade de idéias) ou pela população em geral.
Os grandes empresários que tanto prezam pela liberdade de expressão pouco se importaram em discutir com a massa um tema que irá atingi-la diretamente.
Limitaram-se a notinhas em rodapés de páginas ou a palavras ditas em tom festivo.
Deve ser mesmo um grande motivo para festa. Pelo menos para alguns que apesar de poucos ainda conseguem ter mais força.
Isso é triste e me dá preguiça.
Onde está o nosso 4º poder? O que ele representará a partir de agora? E quem irá realmente representá-lo?
Com uma coisa eu tenho que concordar, um país que não dispõe de políticos qualificados intelectualmente ou mesmo moralmente para assumirem seus cargos, não precisa de ter uma mídia qualificada para informar, entreter; para nada.
Se você olhar em volta encontrará também centenas de médicos, engenheiros, advogados e policiais, todos desqualificados em qualquer nível a ser detalhado. Independente de diplomados ou não.
É de dar pena.
É o nosso presente e a garantia que temos para o futuro.
Obs.: Preciso arrumar um emprego em algum restaurante. Afinal, além de escrever eu também sei e gosto de cozinhar. E além de se jornalista posso ser chef e sem perder tempo com qualificação, o que para o nosso governo é motivo de orgulho.
Talvez chegue o dia em que eu também possa optar por abrir um consultório de psicologia para pôr em prática minha habilidade em ouvir e aconselhar.
Tenho uma tia que, certamente e sabiamente, diria ser este o fim dos tempos.
Que assim seja.