sexta-feira, 26 de junho de 2009

Educação? Pra quê?


Na última semana fui surpreendida com a notícia de que o Supremo Tribunal Federal decidiu pela não obrigatoriedade do diploma de jornalismo.
Há anos que este assunto vem sendo discutido e eu já ouvi muita coisa a respeito desde a época da faculdade.
Já ouvi os que eram a favor e os que eram contra.
Concordei e concordo com algumas partes de ambos os lados, mas nunca acreditei que de fato que esta decisão viesse a acontecer. Mas aconteceu.
Eu li todas as notícias pasma e assim fiquei durante o resto da semana passada e assim estou até hoje.
Não quis escrever sobre o assunto antes, até porque não costumo usar meu blogger para debater temas jornalísticos ou sociais. É uma pena, mas eu uso este espaço só para mim mesma, minhas emoções e minhas raivas.
Não escrevi também porque o absurdo para mim era tanto que eu agi como ajo sempre em casos como estes. Fico sem ter o que dizer, porque qualquer coisa a ser dita me parece tão óbvia e clara que não acrescenta nada.
Afinal, porque uma profissão precisa ser “desprofissionalizada”?
Porque a educação é desmerecida em um país onde ainda estuda-se e, principalmente, aprende-se tão pouco?
Não seria o papel do governo, entre tantos outros, estimular a população a estudar, a ingressar em faculdades, se profissionalizar, debater assuntos relevantes para a sociedade, criar consciência política, capacidade crítica, para aí poder ajudar no fortalecimento do país etc e tal?
Claro que não, né Priscila. Santa ignorância. Nosso governo precisa de soldadinhos burros, desinformados e pouco ou, de preferência, nada críticos.
É melhor nos preparamos porque, se depender do STF, voltaremos a aprender receitas de bolos durante os noticiários, como na Ditadura Militar. Até porque, para fazer bolos não é preciso ser jornalista, não é preciso ser nada, já disse nosso sábio Gilmar Mendes. Preciso dizer que, tamanha sabedoria e sensibilidade me deixam emocionada.
O contraditório é usarem justamente a liberdade de expressão como chamariz para a não necessidade do diploma.
Liberdade de quem? Do Povo? Façam-me o favor!
Sinceramente, usar a liberdade de expressão como bandeira de algo que não liberta ninguém para nada é triste, para não dizer desrespeitoso com aqueles que lutaram e morreram em função de causas tão mais nobres.
Olha, melhor nem entrar em critérios políticos, porque a política sim me dá náuseas.
Eu só quero dizer que acho uma pena.
Acho uma pena e tenho uma dó imensa de um país, que já é carente em tantos aspectos, mas agora será carente também de profissionais estimulados a lidarem com a notícia de forma sensata e ética. Sim, porque não há mais estímulo ao estudo, ao aprendizado, à discussão.
Você nasce, aprende a ler, a escrever e pronto, pode ser um jornalista.
Para isso, a partir de agora, você precisa de um bom padrinho (claro, como sempre, mas é bom esquecer a sorte e o profissionalismo), ou de algum louco, que lhe arrume um emprego.
Esqueça também a idéia de os bons salários, que na verdade (no mundo real, que não é o mesmo da Fátima Bernardes) nunca existiram.
Afinal, não irão pagar justamente para que você exerça uma profissão que, por lei, qualquer um também pode exercer.
Você não precisa gastar mais dinheiro ou tempo com faculdade, livros, aprendizado, debates e anos de escrita.
Você não precisa mais de nada.
O Brasil é um país de jornalistas. Somos uma mídia inteira de 191.341.933 jornalistas. Não é o máximo?
Eu amei minha faculdade de jornalismo. Foram quatro anos que contribuíram imensamente para a minha formação tanto como jornalista quanto como pessoa. Amei o curso, as matérias e tudo o que eu aprendi.
Critiquei sim, por diversas vezes, estar perdendo tempo com teorias que eu julgava inúteis, mas que hoje eu vejo serem extremamente necessárias para um profissional que lida diretamente com a vida das pessoas, que tem influência sobre muitas e que narra diariamente da história de um país.
É óbvio que todos nós sabemos que o jornalismo de verdade, as técnicas, aprende-se mais na prática do que na teoria.
Um estudante jamais se tornaria um jornalista profissional se durante o curso não pudesse estagiar e freqüentar a realidade de uma redação de jornal.
Acho até que os estagiários de jornalismo, assim como em todas as áreas, são muito pouco aproveitados, pois são eles que deveriam trazer grande parte da reflexão e do sopro de paixão ao trabalho rotineiro e estressante destes profissionais da mídia.
Prática e teoria precisam andar juntas, senão durante todo o exercício profissional, pelo menos durante o início deste.
Concordo que é preciso ter talento, é preciso ter vontade e que os jornais precisam estar abertos a opiniões distintas e a profissionais de diferentes áreas. É para isso que existem os artigos, crônicas, contos. Isso sim é um exemplo digno de liberdade de expressão.
Acredito, porém, que antes de tudo é preciso ter preparo.
Concordo que é necessário ter mais espaço para o povo, para o debate de idéias. E acho também que vivemos uma época de informações maçantes e feitas em escala industrial, com pouquíssimo, ou quase nenhum, senso crítico.
Mas não acredito que a falta de um diploma vá nos ajudar. Aí, é pedir demais.
Precisamos ser sensatos o suficiente para entendermos que os jornalistas não estão todos por aí soltos a sua própria verdade e escrevem a revelia como se não estivessem subordinados a interesses editoriais e políticos superiores aos seus e da população em geral.
Para isso usamos a internet que ainda é um veículo onde há espaço para emitir opiniões próprias.
Sabemos também que na maioria das vezes não há tempo ou não é permitido grandes reflexões em meio a fechamentos, correrias e, claro, principalmente, às políticas de cada empresa.
Não existem bons samaritanos, existem empresas grandes e pequenas, existe lucro, existe troca de favores, existe hierarquia, existe politicagem, existem jornais.
E sempre existirão, quer sejam feitos por médicos, advogados, ou cozinheiros, como gostou de ressaltar nosso “querido” e sempre pouco surpreendente, Gilmar.
Quanta ingenuidade. Quanto sadismo. Quanto medo. Quanta besteira.
Este é um assunto que foi debatido muito mais na rodinha dos jornalistas do que na mídia (que deveria zelar pela diversidade de idéias) ou pela população em geral.
Os grandes empresários que tanto prezam pela liberdade de expressão pouco se importaram em discutir com a massa um tema que irá atingi-la diretamente.
Limitaram-se a notinhas em rodapés de páginas ou a palavras ditas em tom festivo.
Deve ser mesmo um grande motivo para festa. Pelo menos para alguns que apesar de poucos ainda conseguem ter mais força.
Isso é triste e me dá preguiça.
Onde está o nosso 4º poder? O que ele representará a partir de agora? E quem irá realmente representá-lo?
Com uma coisa eu tenho que concordar, um país que não dispõe de políticos qualificados intelectualmente ou mesmo moralmente para assumirem seus cargos, não precisa de ter uma mídia qualificada para informar, entreter; para nada.
Se você olhar em volta encontrará também centenas de médicos, engenheiros, advogados e policiais, todos desqualificados em qualquer nível a ser detalhado. Independente de diplomados ou não.
É de dar pena.
É o nosso presente e a garantia que temos para o futuro.

Obs.: Preciso arrumar um emprego em algum restaurante. Afinal, além de escrever eu também sei e gosto de cozinhar. E além de se jornalista posso ser chef e sem perder tempo com qualificação, o que para o nosso governo é motivo de orgulho.
Talvez chegue o dia em que eu também possa optar por abrir um consultório de psicologia para pôr em prática minha habilidade em ouvir e aconselhar.
Tenho uma tia que, certamente e sabiamente, diria ser este o fim dos tempos.
Que assim seja.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A última

Repito para mim mesma de minuto em minuto que tudo vai passar. Mesmo que não passe.
Sussurro baixinho que a esperança é a última que morre. Mesmo que não devesse falar em morte e em clichês.
Mas, descobri que esperança é uma palavra linda.
Assim como descobri em um outro post que generosidade também é uma palavra encantadora.
A esperança não me encanta, ela somente grudou em mim e eu me grudei a ela.
Mesmo que acreditar não faça sentido algum enquanto ainda há um silencio enorme e uma falta de informação que faz com que você fique pequeno perto de um futuro incerto. Mesmo que não haja futuro.
Eu envelheci 10 anos em 2 meses e acho que continuo envelhecendo a cada dia a uma velocidade difícil de descrever.
A gente percebe que envelheceu (o que nem sempre significa crescimento ou maturidade) quando não sente o mesmo gosto pelas mesmas coisas. Quando não consegue ter o sorriso fácil e sem propósito de uma criança. Quando as piadas de sempre perdem a graça.
Você percebe que mudou quando se olha no espelho e por pouco não reconhece mais o reflexo.
Quando sente um peso no peito e um azedo na garganta que contagia todo o resto. Todo ele.
Ainda assim a esperança torna-se uma palavra linda, quase metafórica ou mesmo ilusória. E talvez esteja aí mesmo sua beleza.
Esperança.
Melhor do ser a última que morre, seria se não morresse nunca.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Síndrome de Alice

Sim, sim, sim. Poderia ser um pesadelo. Eu poderia estar neste momento me debatendo em uma cama, toda suada e desesperada para acordar e me ver finalmente livre de algum cenário horrendo.
Mas não.
Continuo acordada, mesmo quando mantenho os olhos fechados. Mesmo fazendo toda a força possível para acreditar que sim.
Ainda estou engasgada e o gosto salgado das lágrimas me faz lembrar que nunca senti o gosto de lágrimas em meus piores pesadelos.
Estou acordada, mas a realidade se tornou tão cruel e incerta que, como nos sonhos, a sensação que eu tenho é de que a qualquer momento eu poderei despencar de uma escada infinita e cair em um buraco negro. Pra sempre.
Talvez fosse até bom cair em um buraco negro. Pra sempre.
Nunca escrevi tanto e nunca me fechei tanto. Contraditório tendo em vista que publico alguns textos em um blogger.
O bom é que, apesar de público, ele é mais meu do que qualquer outra coisa e também quase ninguém entra aqui.
Gosto de fugir pra cá quando não consigo me esconder mais em lugar nenhum.
Aqui eu berro, esperneio e ninguém se assusta, além de mim.
Se bem que minhas insanidades já não me assustam há tempos.
Eu costumava me esconder nos fundos de uma igreja vazia bem no começo da tarde, quando precisava fugir do mundo, ou das mazelas dele.
Entrava e saía sem rezar um pai nosso sequer, mas acho mesmo que não preciso de recitar nada previamente decorado para conseguir fazer com que Deus entenda que eu preciso muito que ele não me abandone.
Eu sentava, pensava durante alguns minutos, chorava durante outros tantos, refazia a maquiagem, fazia o sinal da cruz e ia embora como se nada tivesse acontecido.
Não sei se nesse momento uma fuga rápida à igreja mais próxima resolveria meu problema, assim como acho que escrever aqui não vai me trazer paz nenhuma, pela primeira vez.
Escrevo porque, assim fica mais fácil para que eu entenda o que estou pensando, para externar uma dor que não tem para onde ir.
Você precisa ser forte. Tem que estar forte. Mas de tão forte eu me sinto cada vez mais fraca.
Firme por fora e desmoronando por dentro.
Se eu fosse a Alice, neste momento, este seria qualquer outro lugar, menos o país das maravilhas.
Desce daí, Alice!

That's about pain

O chão some embaixo de seus pés e você não consegue reagir.
Nenhuma lágrima expressa fielmente uma dor.
Nenhuma palavra traduz o que se sente.
Há tristezas que valem por si só.
Você só sente e pronto.
Não há o que se fazer a respeito do buraco que se forma no peito, do vazio que te preenche por dentro.
Se o nosso destino já vem traçado ou não, eu não sei.
Se há como mudar eu também não sei, afinal de contas algumas verdades são incontestáveis e independem da nossa vontade.
Não existe tristeza maior do que ver uma pessoa amada perder o brilho nos olhos, o amor pela vida, a alegria ao acordar, a esperança no amanhã.
Nada pode ser pior do que acompanhar isso de perto e não poder fazer nada.
É essa incapacidade que mais dói.
Não há como transferir a angústia, não há como soprar o medo pra longe.
Você não pode combater a tristeza do outro quando a sua consegue ser maior que você.
Você pode segurar a mão bem forte, pode dar um abraço longo, pode soprar todo o amor do mundo ou ficar apenas ao lado sorrindo como que se quisesse demonstrar que nem tudo está perdido e que existem sim tristezas que podem ser belas.
Você pode se mostrar confiante mesmo estando a um passo do desespero.
Pode rezar baixinho, implorar um milagre a Deus e chorar por dentro.
Mas cada tristeza é única e não há como dividir uma dor, por maior que ela seja, por mais que você queira.
A vida é irônica. É o que sempre me disseram, é o que eu vejo agora.
Ela pode começar e terminar em um choro, um suspiro.
Pode encher de felicidade aqueles te cercam no início e matar por dentro aqueles que te cercam no final.
Eu quase consigo afirmar que mesmo assim ela vale a pena. Ela precisa valer. Mesmo que isso não faça o menor sentido agora.

domingo, 14 de junho de 2009

Enfim só?

Algumas pessoas têm medo da solidão.
Medo de ficarem sozinhas. De morrerem sozinhas. De amarem sozinhas.
Eu nunca tive este tipo de medo.
Talvez por falta de tempo, por azar, ou quem sabe, por sorte.
O fato de ser filha única e de ter crescido aprendendo a ouvir e a inventar meu próprio silêncio me coloca em vantagem perante todos aqueles que não se acostumam a serem sós.
Eu gosto tanto do meu silêncio que meu pânico vem justamente pelo medo de perdê-lo em algum momento.
As pessoas que se acostumam a serem sozinhas parecem um pouco com aqueles velhos chatos que vivem com seus gatos e se enchem de manias insuportáveis no decorrer da vida.
Eu sou cheia de manias. Posso ser chata. Mas não tenho gatos.
Gosto de pensar com a TV e o rádio ligados. E de ouvir meu silêncio quando tem muito barulho em volta.
É bom pensar que nada é capaz de atrapalhar meu mundo e que sou imune aos sons dos outros.
Quando eu era criança gostava de brincar com outras crianças, mas gostava mais ainda de ficar em casa brincando sozinha, de assistir televisão, ler histórias em quadrinhos e depois inventar minhas próprias histórias.
Eu sempre inventei minhas próprias histórias.
E eu sempre as encerrei também, quando elas ficavam chatas e sem graça.
Se não há enredo não há história.
Faço isso até hoje, mesmo com histórias reais.
A minha mãe também gosta do seu próprio silêncio. E os melhores momentos que passei na vida foram ao lado dela. Só ao lado. Sem mais nada.
Mas fico pensando nas histórias que vivemos e que independem da nossa vontade.
Como as pessoas que estão em nossa vida neste momento.
Na influência que exercem em nosso bem estar e em como suas próprias histórias tem poder sobre as nossas.
Por mais sozinho que uma pessoa goste de ser ela está sempre dependendo do outro em algum sentido. Quer queira, quer não.
Penso também em como é difícil envelhecer sendo sozinho.
Em como pode ser triste o final da vida.
E em como é frustrante não ter mais poder sobre seu próprio destino.
É o que acontece quando você não tem mais domínio sobre suas pernas, quando seu corpo não responde mais como antes e como quando seus pensamentos não conseguem ser fortes o bastante.
Aí não sei bem do que as pessoas tem tanto medo: de serem sozinhas ou de acabarem assim.
Pronto, eis a questão.
Dá pra ser sozinho pra sempre?
O que é ser sozinho?
Será que a solidão é mesmo tudo aquilo que se diz, ou o bicho papão que tentam tanto desenhar?
Não poderia a solidão ser uma forma de amor próprio? Uma forma de amor e respeito de você para você mesmo.
E aí eu digo novamente: Dá pra ser sozinho pra sempre e ser feliz?
Eu acho que não. E é aí que, de repente, minha idéia de solidão sofre algum abalo, que pode ser momentâneo ou não.
Acho que o ser humano é, em algum momento, frágil demais para seguir sozinho.
Uma hora você tem o mundo, um futuro cheio de possibilidades e em outra você tem apenas um tempo que pode ser agradável ou não, dependendo de quem você tem por perto.
Eu posso parecer louca. Talvez eu possa até ser realmente.
Mas a minha vida neste momento me mostrou que as fortalezas não são tão fortes quanto parecem.
Mas que podemos ser tão fortes quanto as forças que se unem em nossa volta.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Santa Clarice

“Nada posso fazer. Há em mim um lado infantil que nunca cresce”
(Clarice Lispector)