Eu queria saber se nós nascemos pra ser algo ou se a gente, na verdade, se constrói.
Se existe destino ou se o destino somos nós.
Eu queria saber de onde vem a coincidência. Alguém decide? Você decide? Ou ela decide sozinha?
Quando nós nascemos é como se fosse o início de uma letra em uma página em branco ou o livro já vem escrito e nós nascemos só pra ler?
Eu acredito em tudo. Não desacredito de nada.
Acho que meu livro veio escrito. Talvez sim, talvez não. Mas, acho também, que lendo em voz alta a gente consegue, pela entonação, mudar o significado de algumas frases. Às vezes paramos de ler, damos uma pausa. Às vezes essa pausa demora e aí a vida fica, assim, meio sem rumo até aparecer uma motivação (destino, sei lá) que te faz retornar a leitura, e dar uma ar novo a todas as coisas.
O meu livro tem uma história meio sem rumo, meio desconexa, fica difícil de ler e em voz alta parece poesia de louco.
Tem horas que eu mudo a entonação, fico enjoada e paro de ler.
Outras eu tento mudar a história, finjo que não li o que eu li, ou deixo uma vírgula de lado, atropelo um ponto, disfarço uma interrogação com uma exclamação, tentando enganar a história que, tolinha, já veio pronta.
Você pode até se prender a uma página com medo do que virá depois, mas não pode esquecer e nem fingir que ainda tem outras esperando apenas a chance para serem lidas, pontuadas, exclamadas, interrogadas.
No fundo a gente só quer mesmo é encher o nosso mundo de anotações e rabiscar o infinito.
No fundo a gente só quer mesmo é ser a gente!
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
...
"Saudades! Sim... Talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte. Que bem pensara vê-lo até à morte. Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte. Deve-nos ser sagrado como o pão! Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar. Mais a saudade andasse presa a mim!"
(Florbela Espanca)
(Florbela Espanca)
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Ele sabe
"É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi".
Luís Fernando Veríssimo)
Luís Fernando Veríssimo)
Tic-tac, tic-tac
Não consigo lidar bem com dúvidas. Não gosto de fazer julgamentos falsos.
Eu gosto de julgar. Assim como você e todo o restante dos seres humanos é impossível que eu não julgue cada ato de um terceiro ou o meu próprio.
O que me incomoda é não ter certeza de estar fazendo o julgamento certo. É não ter provas. Eu preciso de provas, de argumentos, mesmo que abstratos. Só não consigo inventá-los.
Definitivamente eu não sou uma pessoa 100% sincera e esse é somente um dos meus vários defeitos. Eu minto pra mim e pros outros quase que diariamente. Invento situações, construo mundos, conversas. Faço suposições 24 horas do meu dia. Mas eu diria que 50% de mim jamais esconde o que pensa. E metade é mais do que muita gente faz por aí.
Eu não consigo me esconder. E é simples, isso acontece porque eu tenho pressa. Eu tenho pressa de acontecer e de me livrar de situações que me incomodam. Eu não consigo lidar com o talvez, com o quase. Não sei esperar, porque esperar me faz morrer a cada minuto, então eu prefiro matar o motivo da espera logo de uma vez.
Já me ferrei muitas vezes por isso e sei que várias outras situações virão. Mas a gente se acostuma e acaba aceitando, se esta for a condição de ter alguma paz.
É mais ou menos como aquela história da criança que enfia o dedo na tomada. A mãe diz que não pode, que ela vai se machucar e no fundo a criança até acredita na mãe, ela sabe que vai se machucar. Mas a ansiedade, a curiosidade em sentir aquela dor, aquele apresso pelo perigo faz com que ela pague pra ver. E é isso que acontece. Porém, a dor do choque vale pela situação em si, vale por toda a adrenalina do antes. O depois vem depois e sempre serve pra alguma coisa. Ele sempre ensina algo que você não aprenderia de outro modo.
Eu também paguei pra ver. E acredito que a chateação que veio junto com meu "depois" deva ter valido pra alguma coisa. Vai ver que eu sou mesmo uma criança mimada que precisa ir contra o que é certo só pra provar que pode tomar suas decisões sozinhas.
Mas isso tem um preço e normalmente pessoas assim já pagam adiantado, sem prestações.
Acho que tudo nessa vida precisa de um ponto final. Nada termina com uma vírgula ou três pontinhos. E toda ruptura ocorre por um motivo, por mais banal que possa ser. Mas precisa sempre de um motivo, de algo real. Nesse caso não valem suposições, não valem mentiras.
A realidade pode ser cruel, mas ainda é melhor do que qualquer conto de fadas com um falso final feliz.
Eu gosto de julgar. Assim como você e todo o restante dos seres humanos é impossível que eu não julgue cada ato de um terceiro ou o meu próprio.
O que me incomoda é não ter certeza de estar fazendo o julgamento certo. É não ter provas. Eu preciso de provas, de argumentos, mesmo que abstratos. Só não consigo inventá-los.
Definitivamente eu não sou uma pessoa 100% sincera e esse é somente um dos meus vários defeitos. Eu minto pra mim e pros outros quase que diariamente. Invento situações, construo mundos, conversas. Faço suposições 24 horas do meu dia. Mas eu diria que 50% de mim jamais esconde o que pensa. E metade é mais do que muita gente faz por aí.
Eu não consigo me esconder. E é simples, isso acontece porque eu tenho pressa. Eu tenho pressa de acontecer e de me livrar de situações que me incomodam. Eu não consigo lidar com o talvez, com o quase. Não sei esperar, porque esperar me faz morrer a cada minuto, então eu prefiro matar o motivo da espera logo de uma vez.
Já me ferrei muitas vezes por isso e sei que várias outras situações virão. Mas a gente se acostuma e acaba aceitando, se esta for a condição de ter alguma paz.
É mais ou menos como aquela história da criança que enfia o dedo na tomada. A mãe diz que não pode, que ela vai se machucar e no fundo a criança até acredita na mãe, ela sabe que vai se machucar. Mas a ansiedade, a curiosidade em sentir aquela dor, aquele apresso pelo perigo faz com que ela pague pra ver. E é isso que acontece. Porém, a dor do choque vale pela situação em si, vale por toda a adrenalina do antes. O depois vem depois e sempre serve pra alguma coisa. Ele sempre ensina algo que você não aprenderia de outro modo.
Eu também paguei pra ver. E acredito que a chateação que veio junto com meu "depois" deva ter valido pra alguma coisa. Vai ver que eu sou mesmo uma criança mimada que precisa ir contra o que é certo só pra provar que pode tomar suas decisões sozinhas.
Mas isso tem um preço e normalmente pessoas assim já pagam adiantado, sem prestações.
Acho que tudo nessa vida precisa de um ponto final. Nada termina com uma vírgula ou três pontinhos. E toda ruptura ocorre por um motivo, por mais banal que possa ser. Mas precisa sempre de um motivo, de algo real. Nesse caso não valem suposições, não valem mentiras.
A realidade pode ser cruel, mas ainda é melhor do que qualquer conto de fadas com um falso final feliz.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Florbela
"O meu mundo não é como o dos outros,
quero demais, exijo demais;
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que eu nem mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessoa;
sou antes uma exaltada,
com uma alma intensa, violenta, atormentada,
uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudade… sei lá de quê!"
(Florbela Espanca)
Descobri Florbela Espanca. Um pouco tarde, eu sei. Mas amei!
quero demais, exijo demais;
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que eu nem mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessoa;
sou antes uma exaltada,
com uma alma intensa, violenta, atormentada,
uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudade… sei lá de quê!"
(Florbela Espanca)
Descobri Florbela Espanca. Um pouco tarde, eu sei. Mas amei!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Acorda, menina!
Segunda-feira! O que era para ser ruim ficou surpreendente bom.
Alguns dizem que nada como um dia após outro dia. Eu diria que nada como uma segunda-feira após um fim de semana desastroso. De repente tudo ficou tão mais simples e leve. É como começar o ano novo mandando o velho se ferrar.
Boa semana!
Alguns dizem que nada como um dia após outro dia. Eu diria que nada como uma segunda-feira após um fim de semana desastroso. De repente tudo ficou tão mais simples e leve. É como começar o ano novo mandando o velho se ferrar.
Boa semana!
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