Eu tenho um coração cheio de saudade e uma bola apertando bem no meio da minha garganta. Sempre foi assim. Às vezes mais, às vezes menos. Mas sempre será.
Tenho um choro engasgado e uma vontade de dar risada que não tem hora pra aparecer.
Gosto de parecer idiota e fazer piadas sem graça pra que nunca me levem tão a sério. Assim eu protejo o que é mais sério pra mim.
Tem dias em que eu acordo com uma felicidade boba, que não tem razão pra existir. E como é bom ser feliz sem motivo, ou ser feliz por causa de um cheiro ou ainda por uma história que você mesma inventou.
E eu também fico triste no final do dia, quando o sol já está indo embora e eu fico com a sensação de que uma parte minha está indo também, fora aquela que eu sei que já se foi e que não volta mais.
Eu tenho sonhos loucos e vontades absurdas. E eu desejo tanto, tanto, tanto, que quase acredito que realmente posso fazer as coisas acontecerem. Mas ainda me falta aquele papel e aquela caneta pra escrever a minha história do jeito que ela deve realmente ser escrita.
Se eu contar tudo o que eu penso as pessoas descobririam que eu sou louca, bem louca. Mas, assim como todos os verdadeiros loucos, eu disfarço bem.
E eu me divirto com as idéias que os outros têm de mim. Aí eu acabo me sentindo um pouco atriz, porque tem gente que compra as minhas interpretações.
Na realidade, eu tenho uma louca vontade de ser aquela garota que eu inventei. Mas ela é inatingível e por isso mesmo eu a busco tanto. Se fosse pra chegar a ser não teria tanta graça.
O mundo em que eu vivo, onde eu me encontro, foi inventado por mim há anos atrás e nele eu ainda consigo me esconder da podridão que existe aqui fora.
Acho até que algumas pessoas me julgam infeliz. Talvez pelas coisas que eu escrevo, ou pelo modo como eu me conto, ou simplesmente porque não conseguem entender como é ser quem eu sou.
E eu não quero que ninguém me entenda. Afinal, não dá pra viver a vida do outro e ninguém consegue sentir a profundeza de quem está ao seu lado. Por mais que queira isso é impossível.
Tolos esses que acreditam na minha infelicidade. Eu também já acreditei nela. Acho que isso me tornava mais interessante até mesmo aos meus olhos.
Mas a verdade é que a minha felicidade consiste justamente nessa contradição de sentimentos e nesse amontoado de palavras, dúvidas, apelos e dramas que eu carrego aqui dentro.
Assim como deve ser, a gente se acostuma a ser quem é e aprende a ser feliz com o que tem.
A grama do vizinho pode até ser mais verde que a sua, mas ainda assim ela jamais será a melhor para você.