Tudo o que ela queria era um banco embaixo de uma árvore em um lugar bem tranqüilo e com o tempo parado.
Não seria dia, não haveria hora, só a brisa e os livros. Seus livros.
Afinal de contas, histórias alheias, mesmos as feitas por ela, eram sempre boas quando as suas próprias passavam por um enredo tenso.
A menina, então, fechava os olhos em sua cama, um pouco antes de ter que acordar de fato, e se imaginava nesse lugar onde poderia passar horas desfrutando da calma que tanto lhe faltava.
Era o mesmo que ela fazia quando era criança e imaginava suas próprias histórias para passar o tempo.
A diferença era que agora o tempo passava rápido demais e ela fazia isso para parar o tempo.
Com os anos os seus sonhos haviam mudado um bocado.
Eles haviam sido em parte engolidos pela realidade e a outra parte tinha vergonha de desejar o indesejável.
Já não eram os mesmos sonhos.
E ela também já não era a mesma menina.
Havia sim ainda a velha menina dentro dela, mas andava um pouco difícil a encontrar. Principalmente agora.
O fato de ter crescido não conseguira mudar alguns aspectos na menina.
Tirara o doce da boca, mas ela havia conseguido manter a famosa "cabeça de vento".
E era assim que ao fechar os olhos ela se afastava do mundo e se esquecia da realidade, dos problemas, da dor no estômago e do nó na garganta que vinham sempre anunciar dias ruins.
A menina ainda conseguia escapar.
Cada dia menos, mas cada vez querendo mais.
Ela só não sabia até quando.
Um comentário:
Ela pode não saber até quando, mas como todos nós fazemos nosso próprio tempo, talvez ela n precise se preocupar.
Abraços Pri
desculpe pelos comentários bobos, viu?
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