quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ele sabe

"É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi".
Luís Fernando Veríssimo)

Tic-tac, tic-tac

Não consigo lidar bem com dúvidas. Não gosto de fazer julgamentos falsos.
Eu gosto de julgar. Assim como você e todo o restante dos seres humanos é impossível que eu não julgue cada ato de um terceiro ou o meu próprio.
O que me incomoda é não ter certeza de estar fazendo o julgamento certo. É não ter provas. Eu preciso de provas, de argumentos, mesmo que abstratos. Só não consigo inventá-los.
Definitivamente eu não sou uma pessoa 100% sincera e esse é somente um dos meus vários defeitos. Eu minto pra mim e pros outros quase que diariamente. Invento situações, construo mundos, conversas. Faço suposições 24 horas do meu dia. Mas eu diria que 50% de mim jamais esconde o que pensa. E metade é mais do que muita gente faz por aí.
Eu não consigo me esconder. E é simples, isso acontece porque eu tenho pressa. Eu tenho pressa de acontecer e de me livrar de situações que me incomodam. Eu não consigo lidar com o talvez, com o quase. Não sei esperar, porque esperar me faz morrer a cada minuto, então eu prefiro matar o motivo da espera logo de uma vez.
Já me ferrei muitas vezes por isso e sei que várias outras situações virão. Mas a gente se acostuma e acaba aceitando, se esta for a condição de ter alguma paz.
É mais ou menos como aquela história da criança que enfia o dedo na tomada. A mãe diz que não pode, que ela vai se machucar e no fundo a criança até acredita na mãe, ela sabe que vai se machucar. Mas a ansiedade, a curiosidade em sentir aquela dor, aquele apresso pelo perigo faz com que ela pague pra ver. E é isso que acontece. Porém, a dor do choque vale pela situação em si, vale por toda a adrenalina do antes. O depois vem depois e sempre serve pra alguma coisa. Ele sempre ensina algo que você não aprenderia de outro modo.
Eu também paguei pra ver. E acredito que a chateação que veio junto com meu "depois" deva ter valido pra alguma coisa. Vai ver que eu sou mesmo uma criança mimada que precisa ir contra o que é certo só pra provar que pode tomar suas decisões sozinhas.
Mas isso tem um preço e normalmente pessoas assim já pagam adiantado, sem prestações.
Acho que tudo nessa vida precisa de um ponto final. Nada termina com uma vírgula ou três pontinhos. E toda ruptura ocorre por um motivo, por mais banal que possa ser. Mas precisa sempre de um motivo, de algo real. Nesse caso não valem suposições, não valem mentiras.
A realidade pode ser cruel, mas ainda é melhor do que qualquer conto de fadas com um falso final feliz.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Florbela

"O meu mundo não é como o dos outros,
quero demais, exijo demais;
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que eu nem mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessoa;
sou antes uma exaltada,
com uma alma intensa, violenta, atormentada,
uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudade… sei lá de quê!"

(Florbela Espanca)

Descobri Florbela Espanca. Um pouco tarde, eu sei. Mas amei!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Acorda, menina!

Segunda-feira! O que era para ser ruim ficou surpreendente bom.
Alguns dizem que nada como um dia após outro dia. Eu diria que nada como uma segunda-feira após um fim de semana desastroso. De repente tudo ficou tão mais simples e leve. É como começar o ano novo mandando o velho se ferrar.
Boa semana!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dois lados da mesma moeda

A gente passa a vida se decepcionando.
Conosco e com os outros.
Mesmo que a decepção seja fruto da nossa boa “má” vontade em viver a achar que somos o centro do universo.
E como é difícil enxergar o mundo pela percepção alheia.
Ás vezes o que é azul pra você fica cinza pra outra pessoa.
Deve ser muito triste enxergar o mundo cinza.
Eu passo os dias tentando pintar meus cinzas de azul.
É verdade que nem sempre eu consigo. Mas eu tento.
Só não entendo quem se esforça pra ver a vida cinza.
Acho que enquanto você tem um motivo, por menor que seja, pra segurar a felicidade e a harmonia com aqueles que te cercam, você deve se agarrar a ele com todas as suas forças. Mesmo que ele seja único.
Até porque temos, quase sempre, mais motivos para o contrário. Esta é uma guerra injusta e pode ser perdida diariamente se não tentarmos ser fortes.
Eu vejo as pessoas tão intolerantes, tão donas e certas de suas próprias verdades que acabam se esquecendo que cada ser é único e que, desta forma, as verdades podem ser muitas, as percepções são infinitas e que temos que nos adaptar a elas. Você pode não concordar com tudo e com todos, mas não precisa gerar discórdia. Eu sempre escutei: “Se você não pode ajudar, pra quê vai atrapalhar?”.
Mas há aqueles que gostam de cavar o buraco e deixa-lo fundo a ponto de não poder sair mais dele.
Será que é mesmo tão difícil enxergar o lado do outro, sem que ele seja seu próprio lado?
As pessoas estão cada vez mais intolerantes e individualistas. É sempre “a minha dor”, o “meu lado”, o que fulano fez “comigo”. Não entendem que por trás de um motivo seu existe também um motivo do outro, ou, simplesmente, motivo nenhum. Que apesar de uma ação sempre gerar uma reação, elas não precisam ser iguais. Não precisamos de mais motivos para brigas e infelicidade. A vida já é dura o bastante para nos oferecer seus próprios motivos, mas ela também é sábia o suficiente pra mostrar que uma moeda sempre tem dois lados e basta a você escolher para qual lado vai querer passar os dias olhando.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Quase 3 meses


Para os dias em que a saudade dói mais,
Para os momentos em que a tristeza fala mais alto,
quando o coração se enche de suspiros,
e os olhos ficam alagados.
Para as horas que não passam
e os dias que voam.
Pelas lembranças que ficaram e os risos infinitos.
Por todos os momentos doados e por todo o infinito amor recebido.
É preciso ter fé e esperança,
para que a ausência não tome o lugar do que ficou e do que será eterno.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Fora de qualquer contexto

Há dias que já começam se arrastando.
Você ao abrir os olhos compreende que o que virá pela frente será, de qualquer maneira, longo.
Os que começam chuvosos são sempre mais propícios. Mas em geral vem acompanhados de outros fatores também.
Eu sinto uma tristeza sem um propósito específico e ao invés de me irritar com algumas pessoas e situações sinto pena misturada com preguiça por eles serem quem são.
Nestes dias é incontrolável não sentir preguiça. É impossível não sentir saudade.
Às vezes a saudade é tanta que fica difícil até saber direito de onde vem ou por que.
Sinto falta da minha infância, da cabeça vazia, do sol no rosto e de ter controle sobre o que virá em seguida. Acho mesmo que a criança é o ser mais livre que existe, mesmo com todas as regras para serem seguidas ou quebradas.
Talvez fosse bom se o mundo girasse mais devagar e se nós não tivéssemos que estar sempre tentando chegar ao lugar nenhum. Seria bom vivermos sem máscaras, sem julgamentos e seria melhor ainda se os objetivos não fossem tão concretos e pudéssemos sonhar sempre com o inatingível sem parecermos tão idiotas. Assim como na infância.
Mas o tempo não um bom pai. Ele não pára para colocar um por um no colo e nós preparar para o que vem em seguida. Na verdade nem os pais de verdade fazem isso. Se for para olhar por este lado, somos todos bastardos perdidos em um tempo sem fim, correndo sem propósito e atrasados, ou amedrontados, pelo fracasso eminente. Estamos sempre à beira do fracasso. Sem podermos pedir para sair da brincadeira.
Acho mesmo muita coisa e poucas fazem qualquer sentido.